25/11/2020

Comitê externo independente e de livre expressão sobre a diversidade e inclusão

Em resposta à violência racista que ocasionou a morte de João Alberto Silveira de Freitas, no último dia 19 de novembro, em unidade do Carrefour em Porto Alegre, e no firme propósito de contribuir para que ações como essa nunca mais ocorram, foi criado o Comitê Externo de Livre Expressão sobre a Diversidade e Inclusão.

Esse comitê foi formado a partir dos diálogos decorrentes da tragédia de Porto Alegre e é absolutamente independente, não tem qualquer vínculo de subordinação ao Carrefour Brasil. Sua maior motivação é o dever moral de tentar impedir que mais pessoas negras morram, com o objetivo de orientar e embasar um amplo plano de ação de combate ao racismo estrutural no varejo e em toda sociedade.

Em um cenário no qual:

  • 89% dos brancos e 97% dos negros acreditam que as pessoas negras sofrem preconceito no Brasil e no qual;
  • 84% dos brancos e 91% dos negros acreditam que os negros sofrem mais violência física no Brasil do que não-negros.

Este grupo terá como funções principais orientar e aconselhar compromissos de Tolerância Zero à discriminação racial no Carrefour Brasil, acompanhando constantemente o desenvolvimento de iniciativas que sirvam a este propósito.

Farão parte deste grupo especialistas e líderes de movimentos negros e personalidades com voz ativa nas questões raciais. O grupo também irá orientar as ações que serão implementadas com o Fundo que está sendo especialmente criado para o combate à discriminação.

O Comitê já nasce com uma lista de reinvindicações iniciais de tolerância zero em relação à discriminação racial, que serão assumidas como compromisso pelo Carrefour no Brasil em três frentes: nos âmbitos interno da companhia, com relação ao ecossistema que se relaciona com o Carrefour Brasil e com a sociedade.

No contexto interno, recomendamos a realização imediata de treinamentos intensivos com o quadro de colaboradores e revisão da concepção e da contratação dos serviços de segurança, bem como dos procedimentos adotados na relação com associações de segurança privada e de transporte e respectivas autoridades competentes. Além disso, todas as lojas também serão pontos de divulgação da Política de Tolerância Zero a todo tipo de discriminação.

Com relação ao ecossistema da companhia, todos os fornecedores e pares também serão orientados a seguir boas práticas para lidar com estas questões e serão estabelecidos indicadores para aferir o cumprimento e adequação a essas orientações.

Em resposta à sociedade, serão promovidos fóruns de debate e pesquisas que embasem o crescimento da discussão sobre racismo no Brasil, além da contratação de 20 mil novos colaboradores por ano, respeitando a representatividade racial da população brasileira e do apoio a instituições de ensino do país na formação profissional de jovens negros e negras.

A primeira dessas demandas do comitê é um pedido para que o Carrefour, em sinal de respeito à morte de João Alberto, feche sua loja de Porto Alegre no dia 26 de novembro. Além disso, no mesmo dia, que abra todas as lojas do país a partir das 14h e que todo o resultado das vendas de quinta e sexta feira seja revertido para entidades e programas que apoiem a causa da diversidade, de acordo com a orientação deste conselho.

Com a certeza de que essas medidas são apenas um importante passo em um longo caminho e com o compromisso público de em até 15 dias voltarmos com um detalhado e minucioso plano de orientação e embasamento das ações do Carrefour Brasil.

Assinam essa nota e compõem o Comitê: Rachel Maia, Adriana Barbosa, Celso Athayde, Silvio Almeida, Ana Karla da Silva Pereira, Maurício Pestana, Renato Meirelles, Ricardo Sales e Mariana Ferreira dos Santos.

Na mídia

Esse comitê foi formado a partir dos diálogos decorrentes da tragédia de Porto Alegre e é absolutamente independente, não tem qualquer vínculo de subordinação ao Carrefour Brasil.